quarta-feira, 26 de novembro de 2008

 

Belo Antonio




O Belo Antonio, com Marcello Mastroiani e Claudia Cardinale

- A parceria entre Mauro Bolognini (direção) e Pier Paolo Pasolini (roteiro) rendeu títulos importantes como Os Namoros de Marisa, Um Dia de Enlouquecer, A Longa Noite de Loucuras e, talvez, o mais famoso, O Belo Antonio, que a Silver Screen acaba de lançar em DVD. Não se trata da melhor direção de Bolognini, mas de maior repercussão por tratar, em 1960, de um tema tabu: a impotência sexual.

Inspirado no romance de Vitaliano Brancati, trata-se da história do belo e vistoso Antonio, que encanta as mulheres, apaixonadas porque imaginam que ele seja o "amante ideal", mas na realidade Antonio é impotente. Ele se casa com Bárbara, uma jovem rica, que só descobre a verdade após o casamento.

O filme é recheado de imagens criativas, como a tradição siciliana que obriga o marido a colocar na janela os lençóis da noite de núpcias para provar que cumpriu com seu dever. Com a demora de Antonio, as especulações sobre sua masculinidade começam a aumentar. O tom é tragicômico, magnificamente interpretado por Marcello Mastroianni e Claudia Cardinale nos papéis principais.

Curiosamente, a presença de Mastroianni causa uma certa desconfiança em relação a Antonio por ter o ator construído uma carreira baseada na fama de latin lover, ou seja, alguém que dificilmente falharia. Na verdade, apenas comprova sua versatilidade como ator.

E o mérito do filme não está apenas no roteiro agridoce de Pasolini, mas na direção de Bolognini. Ele foi mais que um artesão, um autor atraído por temas como a impotência do homem e a mistificação da mulher.



Brancati caracteriza-se por seu moralismo profundo, amargo e desesperado.
É um incessante observador da preguiça, da incapacidade de agir e da debilidade moral da sociedade burguesa siciliana que, de certa forma, reflete a situação da burguesia italiana como um todo.
Em O belo Antonio, o autor junta o sarcasmo à hilaridade ao utilizar a metáfora do jovem impotente que representa o limite encarnado do supremo ideal do fascismo e da sociedade burguesa meridional, no sexo, na impotência moral, militar e política do regime, com a consciência desolada pela inutilidade dos esforços para mudar o mundo.

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